quarta-feira, 21 de julho de 2010

Roleta russa


E se eu fosse embora?
Quanta falta eu faria na sua vida?

O medo da resposta me consome de tal forma que não ousaria perguntar. Nunca o fiz.
Isso porque eu sei a resposta verdadeira, não importa o que digam, já passei por isso tantas vezes que sei de cor a seqüência de eventos que me levam ao esquecimento.

É como morrer várias vezes. Alguém vai lembrar-se de você sempre. Ou não.
Os outros vão chorar, sentir sua falta durante 26 dias aproximadamente.

Nos primeiros dias você recebe ligações e mensagens, afinal todos prometeram ligar sempre, até que essas chamadas vão ficando escassas, até que mais ou menos a partir do 40° dia você percebe que há algum tempo ninguém te liga, ninguém manda mensagem, mas ainda estão falando de você, dizendo: “Putz, se fulano estivesse aqui seria tão legal.”
Cruel é lidar com os pesadelos, com o fato de se perder na cidade, com a ausência das pessoas que falam como você, com a insegurança de não ter uma amiga que te conhece pra falar da vida alheia ou do menino bonito que te cantou.

Três meses se passam e alguém te liga, contando as novidades,falando de pessoas que você não conhece,contando coisas que te fazem sentir uma inveja terrível, falando das risadas, dos beijos, e do brigadeiro que você não comeu.

Você liga o chuveiro e demora demais no banho, sente medo de que alguém te ouça soluçar. Quatro meses depois outro alguém liga e conta que viu seu ex-namorado- que ainda mexe com você- beijando outra pessoa. Aperta o peito, dói a barriga e você diz: “natural.” Depois disso você nunca mais vai conseguir conversar direito com os amigos, vai ter acontecido tanta coisa que vocês não compartilharam que fica ate chato gastar interurbano pra saber, então as vezes trocam e-mails, scraps.

Agora as coisas começam a ficar mais fáceis, finalmente algumas pessoas pra conversar, e você acostuma com a cidade, com os novos amigos em quem você não confia ainda. Depois de tanto estresse, desgaste, chuva... as coisas melhoram dentro do peito.

Nessa época sua “vaga” de amigo foi ocupada... Estar longe começa a ser interessante, e apesar da saudade que você sente e que sabe que algumas pessoas sentem, no fundo nada vai ser como antes e isso poderia ser bom, se o processo não tivesse sido tão traumatizante.

O ciclo recomeça. A vida segue boa. E um dia qualquer você vai embora de novo, quase como se aquilo fosse seu carma,como se um Deus dissesse que você tem que aprender algo com aquilo. Pode até ser exagero, pode soar engraçado, e pode ter tanta gente que não tem idéia do que estou falando.

Bom, não importa... Dói tanto, que simplesmente prefiro que não me digam se farei falta.
E é claro que dói mais em mim, se você entender que sou um pássaro que desejou a vida inteira ser uma árvore.

E depois me perguntam por que criei um muro, quase impenetrável, entre mim e as pessoas.

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