segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Amor: Morrer e Matar.


Terminar um relacionamento é uma experiência que quase todos nós passamos pelo menos uma vez na vida. E mesmo sendo tão normal é um processo muito difícil, porque na maioria das vezes não sabemos como administrar os sentimentos, tantas vezes confusos, desesperadores. 

Às vezes me lembro, com carinho, dos enormes sofrimentos vividos na adolescência, quando terminar um relacionamento representava a quase “morte” daquele que foi abandonado. 
Me recordo com carinho porque foi ali que aprendi que a paixão não é eterna, e que seguir em frente é necessário, e que no fim eu não ia morrer de amor como nos romances que eu lia
Naquela época era bem mais fácil e rápido, bastava olhar para outro menino bonito, escrever nossos nomes em um caderno com coraçõezinhos e começar TUDO de novo. 
E é isso mesmo, recomeçar. Com direito aos mesmíssimos sofrimentos e experiências de quase morte.

É muito engraçado, passamos tantas vezes por isso e parece que a nossa dor é infinita, que não vai passar. Você sabe que vai. No amor, assim como na morte lidamos com as mesmas sensações de perda. Quero dizer que tanto acabar um relacionamento importante como lidar com a morte de um ente querido vai desencadear a mesma reação: Luto. 

De modo geral, o luto é uma reação vital. É muito importante lidar bem com esses sentimentos, já que isso vai ajudar a curar as “feridas” mais rápido. Se negar a vivenciar essas fases, pode significar prolongar o sofrimento e evitar reconstruir a vida. Nos agarramos a situações que não existem mais, encaramos o medo de ter que recomeçar, nos negamos a aceitar nosso possível fracasso e culpa diante daquela situação.
Eu já falei, em algum lugar desses meus textos malucos, que achei um jeito de amar meu sofrimento. E para isso usei tudo ao meu alcance, valia ser racional e anotar os motivos pelos quais a relação acabou, ligar chorando para as amigas, gritar com a cabeça afundada no travesseiro, pedir ajuda divina, enfim, precisamos antes de tudo ter certeza de que aquela decisão foi melhor para gente. Quando adultos não temos mais tanto tempo a perder, e continuar agindo da mesma maneira que quando éramos adolescentes só piora nossa dor. É preciso encarar com consciência os acontecimentos, e isso significa crescer emocionalmente.

O enlutado passa por cinco fases distintas. São elas:
1. Negação -  É uma reação de resistência ao choque e à profunda dor. A pessoa se sente atordoada ou emocionalmente adormecida, o discurso baseia-se em “não, eu não merecia isso”, “porque isto aconteceu?” ou “porque eu não evitei?” “Isto não pode estar acontecendo”.  É o início do luto, apego ao que se perdeu e uma tentativa de manter consigo. Aqui muitas coisas perdem o sentido, e até as tarefas mais simples são difíceis demais de serem realizadas. É a fase de maior sofrimento. O ideal é expressar esses sentimentos.

2. Raiva - Acontece a reação, normalmente de revolta: “Como pode deus (ou a vida, ou o destino, ou o fulano) fazer isto comigo?” “Dei tudo para aquele mal agradecido e veja o que ele me fez”. Acontece um período de grande agitação e ansiedade pelo que foi perdido. Quem sofre não consegue relaxar ou concentrar-se e chegam as intermináveis noites sem dormir, a mente está de prontidão para se defender de qualquer outra possível decepção, e a sensação que se tem é a de que nunca mais conseguirá amar outra pessoa.
Muita gente se mantem nessa fase por até anos.  Sabe aquele amigo (a) que nunca conseguiu esquecer o ex? Que não consegue amar outra pessoa? Pois é...

3. Barganha – Começa uma tentativa desesperada de negociação com a emoção ou com o ex: “prometo ser uma pessoa melhor se ele voltar”, “subirei as escadas da igreja de joelho”, “preciso de mais tempo para mudar”, “Eu deveria ter sido mais compreensiva”. É nessa fase que os casais voltam, muitas vezes só pra começar todo o sofrimento de novo. Nessa fase é imprescindível apelar para o racional, pedir a opinião da família e amigos, e tentar identificar se vale a pena esse “esforço”. Simplesmente quem sofre não aceita que a perda está acima de qualquer controle e que, não raro, é um bem.

4. Depressão - “Não consigo passar por isto”, “Não mereço sofrer assim”.  O foco principal são as datas comemorativas (aniversário, ano novo, etc.), os planos desfeitos e objetos que lembram o finado, povoadas de fortes lembranças provocando crises de choro, momentos depressivos, e o estado de agitação referido na fase da raiva e barganha, é geralmente seguido de períodos de grande tristeza, isolamento e silêncio.  Esta mudança súbita de emoções costuma preocupar as pessoas próximas, mas é um estágio essencial para a resolução do luto, pois o enlutado faz uma análise mais franca de tudo que aconteceu e escolhe enfrentar o fato para recomeçar a sua vida.

5. Aceitação - “Ok, não terei de volta, não há sentido em continuar nessa luta”.  Com o tempo, as fases são ultrapassadas. A depressão chega ao fim e a mente busca novos assuntos. Entenda que chegar nesse estágio não implica em “esquecer”, mas sim administrar a perda, lembrar com carinho sem o peso da dor. Aceitar o processo não impedirá novas dores, mas você estará apto a controlar os impulsos, direcionar o pensamento para o futuro em vez do passado, ajustando-se à realidade. O período de luto é diferente para cada um, e essas fases não ocorrem, necessariamente, nessa ordem.
E é aqui que gente começa a seguir em frente, reparar em outro rapaz e pensar: “Nunca tinha reparado como ciclano é bonito” (Ah, o amor, esse danadinho...) e começamos TUDO de novo.


*Referências: Introdução à Psicologia - Linda Davidoff 

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