sábado, 2 de outubro de 2010

Contido e Moderado


Escuto nitidamente o ruído da chave virando na fechadura.
É a primeira vez que o silencio me incomoda tanto.

Meus passos fazem barulho demais.

Silencio.

Inacreditável.
Sai de casa pra ver se era real,
É que às vezes acho que fiquei louca.

Silencio.
Você acreditaria se eu te contasse que já faz quatro horas que não passa um carro nessa avenida?
Qualquer coisa me incomoda.


Sim, senhor, eu apago esse cigarro, entendo sim...
Eu também não conseguiria dormir com o barulho da chama.

Minha respiração vai acordar a vizinhança!
Eu não queria causar nenhum transtorno...
Desculpe-me
Desculpe-me...
Eu posso parar se vocês quiserem.

Sim, senhor, entendo....Meu coração bate alto demais mesmo...

2 comentários:

  1. O silêncio é quase um assassino... Mas nós somos sempre mais assassinos que ele.

    O ritmo do coração nem parece que vai na batida, mas na ausência da batida.

    Um abraço.

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  2. Não há silêncio absoluto da poesia... na dor, na tristeza ou quem sabe até na felicidade! Por isso não é o barulho que incomoda e sim o silêncio...
    Adorei este post. Parabéns!

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Carpe Diem,Tempus fugit.