quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Sobre amores e o tempo I


Um temporal inundava a cidade.
Distante umas cinco quadras de casa, abrigou-se sob um toldo estreito, quando passou um carro e espirrou água nela... "Ótimo" pensa, completamente ensopada.
O mesmo carro torna a passar, dessa vez, parando na frente dela, ela já estava pronta pra xingar quando o vidro insulfilmado abaixa e ela o vê...
Ele a reconheceu imediatamente. Passou um tempo fora da cidade, mas não poderia jamais esquecer aquela garota com jeito de mulher que por tanto anos foi sua amiga.

Ela sorri, meio sem jeito.
E ele grita: -Entra no carro, namoradinha...
Passaram-se pelo menos seis anos desde que ele a viu pela ultima vez. Não poderia imaginar que a reencontraria. Ele a detalhou em poucos segundos: cabelos castanhos na cintura, seios medianos marcando a blusinha branca (agora molhada) que vestia, o sorriso iluminado. Seu corpo era todo proporcional. Não era o tipo de garota que parava o transito, mas pobre do homem que se deixava seduzir pelos seus olhos castanhos claros. Vestia uma saia longa e uma sandália rasteira, nada de maquiagem, exceto pelo gloss que brilhava em seus lábios. Os olhos eram como faróis e os cílios longos deixavam-na com um olhar muito sedutor.

Ela entrou no carro e não conseguia dizer uma palavra. A chuva caía incessantemente enquanto ele puxava assunto. Estavam a cinco quadras de casa, mas ele acabou tomando uma rua errada de propósito, queria pensar no que fazer.
Depois de tanto tempo ele já sabia bem o que sentiu ao revê-la.
Ela fingiu preocupação quando ele mencionou o erro, mas no fundo estava gostando. Embora fosse muito extrovertida limitava-se a olhar pra frente enquanto ele fazia perguntas, assim, meio brincando como se ela ainda fosse uma menina.

Ela decidiu que não poderia deixar que nada abalasse sua rotina, seus sentimentos, nada iria mexer com seu coração. Ajeitou-se no banco e sua perna ficou meio jogada de lado.
Quando ele trocou a marcha,suavemente tocou na coxa dela e pediu desculpas...
“Não tem problema” - Ela disse e então lhe lançou um olhar furtivo e cheio de expectativas.
Chegaram ao prédio dela.
Eles ficaram em silencio por algum tempo.
“Obrigada” – Ela disse – “Até algum dia, foi bom te ver”.
Ela saiu do carro. Bateu a porta com força.
Ele se sentia relutante. A via se distanciar, sentia um aperto no peito.

Desceu do carro, a chuva caía como pedras sobre ele.
Ela nem olhou pra trás quando fechou o portão que dava acesso ao condomínio.
As cenas passavam como flashs em sua mente. Ela era apenas uma garotinha quando pôs os olhos nele, lembrava-se.
Ele a via sumir enquanto comparava a menina e a mulher que caminhava lentamente na chuva ... Ela caminhava como se estivesse lavando a alma, com passos firmes e decididos, ele esperava que ela desse algum sinal para que se aproximasse.
Lembrava-se dos tempos de escola. Ele era o cara mais desejado em seu circulo social. Não porque era lindo, ou porque era extremamente sedutor... Mas porque ele sempre tratava a todos com aquele jeito Don Juan.
Caminhou em direção ao portão: “Lia!” – Gritou.
Ele não conseguia vê-la, nem sabia se ela o escutara. Encostou a cabeça nas grades, arrependido por tê-la deixado ir.
Novamente.
Do que ele tinha medo, afinal?
O que o fazia tão relutante?
Alguns minutos se passaram.
Sentiu o toque das mãos dela, levantou a cabeça e abraçou-a carinhosamente por entre as grades.
“Me deixa entrar” – ele sussurrou.
“Não.” – Ela respondeu.

3 comentários:

  1. Muito booooooooom! rsssssss
    Curto seus desfechos! :)

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  2. adorei seu cantinho
    parabens

    gosto do seu estilo

    abraço

    Marcella

    http://marcellavicente.blogspot.com/

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  3. gostei mesmo!
    legal o blog.
    e esse "Não" no fim foi matador, fiquei com pena do coitado. rsrs

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Carpe Diem,Tempus fugit.