quarta-feira, 25 de junho de 2008

Seis meses

Acordei com o cheiro de café que vinha da cozinha e um calor nas mãos.
Um sorrisinho nasceu no canto da minha boca,
Quase que agradecendo por você existir,
Mas não era gratidão, era alegria.
Alegria por saber que você estaria sentada na porta de casa esperando um beijo meu,
Que eu iria escutar de novo: “vai com Deus minha filha...”.
Eu já fiz um esforço imenso, mas não consigo lembrar o resto da oração...
Eu só lembro que você dizia meu nome, mas nem mesmo da sua voz eu me recordo.

Nunca mais consegui beber um gole de café,
Nem cantar aquela canção maluca que te fazia rir
Eu nunca me sentia sozinha, nem dormia com fome.
“Colininha, você me abandonou?”.
“Me desculpe belzinha, eu prometo que eu vou aí amanha”.

Infelizmente o amanha pode não vir, e quando eu cheguei você não estava mais lá me esperando.
Não consigo mais me sentar na cadeirinha de balanço, mas ela continua na porta de casa.


...Abandonei não vó, foi você que foi embora, assim de repente, levando consigo todas as lembranças da minha infância...

Alice Sales

3 comentários:

  1. Ai amiga! Que lindoo!
    Me emocioneeei!
    Parabéns pleo texto!
    Beijoo!

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  2. Muuito bonito, ta de Parabéns.
    Achou legal entao o da mulher infiel? Hahahaha

    Obrigado pelos comentários, Beijos!

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  3. Terno...

    Alice, li alguns textos seus hoje e cada vez me surpreendo.

    Muito bom!

    Me faz lembrar de um campo, com cheiro de terra molhado. Adoro esse cheiro. quando eu crescer quero ter um desses em minha casa!

    P.S.: O primeiro da fila viu, não esquece.

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Carpe Diem,Tempus fugit.