quinta-feira, 5 de junho de 2008

Compaixão


Sim.
Meu blog fala de amor.
O amor que está em todos os lugares,as pessoas cantam o amor,vivem,dizem estar apaixonadas...enfim,amor.
E o amor ao próximo?
Eu sei que parece meio démodé,que todas as igrejas falam disso e que ninguém agüenta mais.
Então porque ninguém pratica?
Está faltando nas pessoas uma coisinha chamada compaixão.
Definição:
A muito tempo atrás minha mãe me disse que compaixão era a gente se colocar no lugar do outro. Bom,também é.
Para ser mais formal: Compaixão (do latim compassione) pode ser descrito como uma compreensão do estado emocional de outrem; não deve ser confundida com empatia. A compaixão freqüentemente combina-se a vontade de aliviar ou minorar o sofrimento de outra pessoa, bem como demonstrar especial gentileza com aqueles que sofrem. A compaixão pode levar alguém a sentir empatia por outra pessoa. A compaixão é freqüentemente caracterizada através de ações, na qual uma pessoa agindo com espírito de compaixão busca ajudar aqueles pelos quais se compadece.
Ficou fácil.
Porque ninguem pratica?
Alguns exemplos:
1.Há dois dias eu cai no meio da pista,a parada de onibus estava lotada,ninguem veio me ajudar a levantar. PQP,que raiva quando eu lembro.
2.A minha amiga estava no trabalho passando mal,ligou pra irmã e pediu pra ela ir buscar ela de carro,a irmã dela não foi porque estava no computador baixando os videos do youtube.
3.Hoje eu estava voltando pra casa dentro da topic e vi um cara,talvez ele estivesse bebado,estava fazendo uma fogueira e assando um peixe (ou o que parecia ser um peixe),todo mundo olhava como se ele fosse uma atração de circo,o cara pediu um real que ninguém deu porque disseram que ele ia beber! CARALHO!! O cara estava no meio da rua assando um monte de espinhos pra comer,o que tinha se ele fosse beber? Eu tambem beberia. Eu beberia e fumaria se alguem me desse um real, pra esquecer um pouco que eu estava na rua,com frio comendo peixe com areia.
4.Ontem eu estava ardendo em febre e pedi pra minha tia descer pra comprar um tylenol pra mim,na farmacia embaixo da gente! Ela falou: eu não,vai lá!
5. Meu ex namorado me ligou puto,disse o que queria e o que não queria também. Eu escutei tudo,se ele se sente melhor assim,não posso dizer a mesma coisa. Mas como diz o velho ditado,quem diz o que quer escuta o que não quer. E se passa também.
E ainda se expõe ao risco de me deixa fula da vida e me fazer postar isso no blog.
6.Teve uma menina que pisou no meu pé de salto e não pediu desculpas. Me desculpe senhor,me perdoe por ter empurrado ela!
Hoje eu to com o diabo mesmo.

São pequenas e grandes coisas.
Alguem aqui fez catecismo,se batizou,teve familia?
Responda algumas questões?
Voce gosta de ser enganado?
Gosta que riam de voce?
Que esqueçam do seu aniversário?

Falo das pequenas coisas mesmo,desde lembrar de encher o copo de alguem que come com voce na mesa,a dar bom dia,de pedir licença,de se importar com os sentimentos dos outros,de tirar as roupas velhas que voce não usa,de doar sangue!
Se voce se policiar um pouquinho pra não jogar lixo na rua tambem ajuda!

Voce sabia que o HEMOCE está passando por uma crise muito séria,que tem gente morrendo porque NÃO tem sangue pra transfusão?
Porque voce não pode sair de casa a cada seis meses pra passar 30 minutos lá e ajudar alguem!! Porque voce tem medo de agulha!!!!!

Eu tambem tenho porra!!!!
A cada seis meses eu entro naquela droga de sala suando frio,com medo daquela agulha,mas quando eu saio de lá eu sei que alguem vai estar bem porque eu deixei de ser egoista por meia hora,porque eu tirei um tempo da minha hora de almoço pra dar um tantinho de sangue que não vai me fazer falta.
Eu to gritando,é?
Tá bom,desculpa.
Vou tentar novamente:
Gente,por favor vamos doar sangue,tem muita gente precisando,um dia pode ser você. (frase de enfermeira,com aquela vozinha doce e aquele quepe idiota na cabeça)


Proponho um acordo,toda vez que olharmos alguma situação,antes de julgar ou agir vamos nos colocar no lugar da outra pessoa,um minuto só.
Eu sei que não é facil,mas se voce conseguir fazer isso duas vezes por dia muita coisa vai mudar.
Não dá pra fazer tudo,mas dá pra fazer sua parte.

Eu tento. Me dá a mão?

domingo, 1 de junho de 2008

Insensatez


Madrugada de sábado. Escutei batidas na porta.
Levantei do sofá me espreguiçando. Estava de bom humor. 
Olhei através do olho mágico e abri a porta.
Era ele, meio triste, perdido e molhado pela chuvinha fina que caía. Entrava uma brisa pela janela, bem gelada e que conseguia arrepiar a gente.
Ele ficou uns dois minutos parado na minha frente sem falar nada, eu não quis perguntar por causa do ar pesado que se instalou.


Até que ele quebrou o silencio: 
- “Ela me deixou.”.
Eu mal podia acreditar que ele veio na minha casa duas da manhã porque estava sendo abandonado. Sim, éramos amigos, mas não sei o deu em mim, aquilo me deixou chateada e ao mesmo tempo senti algo que sumiu antes mesmo que eu pudesse definir.
Precisei respirar fundo, disse pra mim mesma: “Calma... Já estava acordada mesmo.”.
Abracei-o. Sentir seu corpo me deixou confusa, sua mão gelada me arrepiou quando tocou meu ombro, seu perfume me invadiu,era um cheiro bom, envolvente, inebriante. Meu rosto encostou-se em seu peito, pressionei a cintura dele... Isso durou apenas alguns segundos até eu voltar à realidade. 


O que estava acontecendo comigo? Eu nunca senti isso, não com ele.
Afastei-me e meio atordoada falei:
“Como? Ela te deixou?” – Fiquei em silencio alguns segundos – “Eu sei do que você precisa: Dormir. Amanha conversamos sobre o que aconteceu.Você vai estar melhor,mais descansado e de cabeça fria”.
Não sei por que disse aquilo, talvez ele precisasse conversar e não dormir, mas algo estava errado comigo, então achei que aquela era a melhor decisão, depois, pela manhã, poderia dar atenção a ele, ouviria seus problemas, o consolaria e o ajudaria a voltar com a garota.

O fiz sentar no sofá, tirei sua camisa deixando aquela brisa tocar seu corpo... Perfumado, macio, cheio de curvas definidas. Novamente me puni por pensar aquilo. Ele estava deprimido jogado em meu sofá e eu detalhava seu físico. Definitivamente, havia algo errado. Aproveitei aquele momento de insensatez e fiquei admirando meu jovem amigo em desespero.
“Vou pegar uma toalha,você vai tomar um banho.” – Falei.
Ele entrou no banheiro e respirei aliviada porque ele estava longe dos meus olhos. Eu não costumava ser imprudente, tentava pensar nas consequências dos meus atos, me sentia péssima por desejá-lo.
“Deve ser a solidão, a vodka, a beleza dele, a hora, o clima ou eu estava ficando louca de vez. Acho que preciso de sexo, mas não com ele! E não nessa situação... ou melhor, em situação nenhuma podemos fazer sexo, que pensamento...”.
Antes que eu me movesse ele voltou, enrolado na toalha. A verdade é que depois de tantos anos éramos muito íntimos, eu o recepcionei com uma blusinha branca de algodão e uma calcinha daquelas que parecem shortinho, mas naquele momento toda essa intimidade era péssima. 

Enrolei-me num lençol, murmurei:
“Que droga, devia ter ido dormir. É... Vou fazer um chocolate quente pra você. Tenta relaxar.”
Foi o chocolate quente mais longo da minha vida, ele tomava bem devagar, fitava o nada. Enquanto que eu rezava pra acabar logo, ir dormir e esquecer essas bobagens. “Vai acabar logo... toma chocolate, dá um beijo, dá um lençol e um travesseiro pra ele e se tranca no quarto.”
Esse plano parecia ótimo.

Ele deitou na minha perna.
Meus olhos esquadrinhavam cada centímetro do corpo dele, até chegar à toalha... Quis que a toalha caísse... Depois apelei pro meu bom senso. Levantei delicadamente, recolhi as canecas e dei um beijo no rosto dele. 

Ele sussurrou algo que não entendi e me olhou. Aquilo me deixou com as pernas bambas. Aquele olhar doce, profundo. Coloquei as canecas no chão. Ele aproximou o rosto. Senti algo diferente, parecia uma adolescente embriagada... Minhas pernas bambearam de novo quando ele sussurrou:
- “Me beija”.
Beijei-o na boca, uns beijos quentes, molhados, cheios de insanidade... Passei a língua de leve nos lábios dele, mordi devagar sua boca e os beijos foram ficando mais intensos, aquilo caía como uma bomba em mim... Um turbilhão de sentimentos, de dúvidas, de desejos. Deu um frio na barriga.
Sentei no colo dele enquanto nos beijávamos. O cheiro dele me provocava, me deixava louca. Parecia um sonho sem forma. As suas mãos iam devagar passeando pelo meu corpo, passavam pelo pescoço, desciam pelas costas e me deixavam tonta.
Ele levantou devagar, percebeu meu olhar intenso que o despia. Passeou pelo meu corpo até ficar de joelhos no chão beijando minhas pernas. Deitou-se sobre mim e me beijou novamente, desta vez com mais vontade, tinha um beijo com sabor de licor de menta.
Suas mãos frias acariciavam meus seios, então ele afastou minha calcinha. Ele gemia baixinho e aumentava cada vez mais a velocidade dos movimentos, eu seguia seu ritmo e sentia meu corpo responder...

Perdi o fôlego, sentia vontade de morder, de beijar, de tocar, de chorar. Fechei os olhos enquanto ele beijava meu pescoço. Corri meus dedos pelo peito suado dele.
Existia algo inexplicável. Nossa respiração ficou ofegante, estávamos juntos, como se fossemos um, e sentíamos muito prazer nisso.

Então de repente me senti tão relaxada... Ele soltou o corpo em cima de mim e me abraçou forte. Eu deslizei as mãos pela sua nuca e respirei fundo.
Já não precisava de explicação nenhuma.
“O que vai acontecer agora?”, pensei.
...
...

Foto: Mecuro B Cotto