terça-feira, 22 de abril de 2008

As cartas que eu não mando



Quando te vejo me pego me pensando se foi tudo em vão, se todo amor que dediquei a você foi uma ilusão da minha mente, se eu inventei tudo aquilo, porque eu queria acreditar que você me amava tanto quanto eu a você. Custa-me tanto acreditar que foi , e talvez por isso eu esteja escrevendo, me afundo na incerteza desesperadora de que a resposta seja sim, um sim vazio, confirmando o que eu não queria.

Estou atormentada por duvidas que martelam o tempo todo sobre o porque disso ter acontecido.Se a culpa foi minha então creio que meu amor não foi suficientemente grande.

Porque você passou a me odiar tanto?

Será que você tomou as dores dele pra si ou existe outro motivo?

O pior é pensar que talvez esse ódio já estivesse aí, na iminência de explodir me partindo em mil pedaços e só eu não enxergava; nesse caso a conclusão dói ainda mais: meu coração se enganou. Eu não posso (e não quero) acreditar que o que sinto é falso.

Estou rodeada de amigos sinceros e que me fazem rir o tempo todo e que eu amo tanto quanto te amei... quando estou com eles não me sinto triste, e quase volto a acreditar que amigos são para sempre. Mas me falta algo: um esclarecimento seu para que eu possa acreditar novamente nos contos de fada.

Não gosto de aceitar que você é um problema.

Quero ouvir sua voz novamente, sentir seu toque, quero que me console e diga que tudo não passou de um pesadelo horrível,que tudo fazia parte de uma noite interminável e que agora eu estava acordada.
Você era minha luz.
Não se deixa de amar,o amor é eterno, os livros de poesia me ensinaram.
O mais incrível é que você não me conhecia, não sabia que eu realmente me entreguei a você, não sabia que varias vezes eu morri por você e que (tenho certeza) você nunca mais vai ter uma amiga assim.
Você sempre teve tudo sob controle, tinha tudo programado, você programou o inicio e o fim. Eu lembro que você me preparou pro inicio, mas não pro fim, foi cruel, eu não estava pronta.

No fim das contas eu só quero que você saiba que sou outra pessoa, mas que apesar de todas as mudanças não consegui excluir você dos meus pensamentos e do meu coração.
Você tem uma dívida comigo, me ajude a fazer isso, me ajude a te apagar.

Eu prefiro acreditar na minha versão da historia, na minha verdade: a de que tudo o que aconteceu foi fruto da inveja das pessoas que nos rodeavam, de vinganças infantis, que nós deixamos nos influenciar e que no fundo você sente minha falta, que você não é tão inflexível quanto demonstrou ser. É isso que quero guardar de tudo que houve entre nós.

Eu devia ter escondido de todos o quanto eu te amo.
Sinto tanta saudade do seu olhar,do seu abraço,do seu beijo,da sua voz me chamando de Rosa Rosadinha...eu sei que tudo isso é muito humilhante,mas vale a pena escrever porque eu só queria que você soubesse.

Eu odeio lembrar de como eu venerava você,como eu te sentia como irmão,um amigo de verdade,eu acho que eu tenho o direito de saber o que aconteceu naquele dia,porque você fez tudo isso,porque esqueceu e fingiu que não houve nada.Eu queria saber de tudo.
Das poucas coisas que conseguiram destruir na minha vida(e não foram muitas coisas),você faz parte das que eu mais lamento.

Quem sabe um dia você lembre de tudo(se é que não foi uma ilusão da minha mente).
Eu só preciso ouvir você dizer “esquece” me olhando nos olhos.
Isso não é um pedido de reconciliação.

É um grito.

Um comentário:

Carpe Diem,Tempus fugit.