sexta-feira, 25 de abril de 2008

Por que a gente é assim?


Freud explica:
Tem gente que namora pra não ficar só.
Tem gente que aguenta muitos mals tratos e mesmo assim perdoa o tempo todo.
Tem gente que vive esperando.
E gente que não sabe esperar.
Tem gente que não ama quem deveria amar... Para amar quem não merece.

Eu queria inventar uma formula especial,um remédio com bula e tudo, e que podia ser uma injeção pra gostar de alguém ,outra pra esquecer e outra para só valorizar quem valoriza a gente... Mas coitada de mim que não sou cientista, nem tenho tanta amizade com Deus.
E o pior é que sou culpada de todos esses pecados, bati e levei.
Vivo numa luta incessante, ora amando, ora sendo amada, dias negando verdades incontestáveis, dias confessando.
Porque somos tão complicados?

A amiga ouviu atentamente, compartilhando certas experiências.
Para Lia, admitir que depois de tudo o que aconteceu ela ainda queria estar com ele era muito difícil, principalmente porque feria seu orgulho, a fazia se sentir idiota e parecer frágil demais. Acabou contando algumas mentiras, disse que eles nunca dariam certo mesmo, que a vida é assim. Se sentia vitima da situação.
-Porque?
-Porque o que?
-Porque você não o namoraria?
-Por causa de tudo que já aconteceu, o passado não pode ser apagado, ignorado ou esquecido. – Meia verdade que contava para si o tempo todo.
Era o que ela dizia, mas a verdade é que ela não ficaria com ele porque não se sentia segura, porque as feridas ainda doíam muito, porque não podia controlar ele como sempre fez na maioria de seus relacionamentos, ele era livre demais.
-Vocês já conversaram sobre tudo isso?
-Não. – Lia procurava uma saída, eram perguntas demais em pouco tempo.
-Eu não suportaria – continua a amiga - falaria tudo isso, procuraria saber o que ele sente. Você já parou pra pensar que ele pode estar tão magoado quanto você? Que enquanto você se coloca no lugar de vitima, ele também pode estar se sentindo tão excluído, tão jogado pra fora da sua vida, sendo tão vitima o quanto. Você imagina quantas vezes já o feriu, o fez sentir-se o ultimo?

Ela não sabia quase nada da historia, mas de repente muita coisa fazia sentido e Lia sentia um peso, aquelas palavras a fizeram olhá-lo sob outro ponto de vista, sentir compaixão, querer saber o que, afinal, o garoto de aço sentia.
Nunca falaria com ele.
E se ele não sentisse nada? Se simplesmente a visse como uma diversão, como seu passatempo, se fingisse que se importava? Ela não queria saber a verdade, o medo quase sempre vence.

O que é mais cruel no amor, é que ele nos faz ter medo de tentar, nos faz covardes, nos faz querer parcelar nossa dor, senti-la devagar, quando simplesmente poderíamos sentir tudo de uma vez, absorver e continuar.

Seu coração dizia: Acabe com tudo, esgote. Se você deixar qualquer vestígio ele vai crescer e vai doer mais, no amor nada pode ficar pela metade, nem inacabado. Pára de achar que se vocês se beijarem novamente vão ter que casar! Tente viver uma coisa de cada vez, um dia de cada vez, uma sensação, depois outra, aí de repente vai tudo estar encaminhado, resolvido.

Silencio.

Porque isso foi acontecer justo agora que ela já tinha se convencido de que ele era o pior homem do mundo?
O medo estava vencendo a guerra. De onde ela tiraria forças pra continuar essa historia inacabada, o que faria com sua vida programada? Se decidisse desenterrar aquela paixão corria o risco de perder muito mais do que já tinha perdido. Ele já tinha levado seu orgulho, sua dignidade, seu corpo e suas lagrimas varias vezes, e toda vez que ela estava se reerguendo fraquejava diante daquele menino bonito, tão complicado e encantador.
- Lia?
Elas acabaram o café.

Aqueles pensamentos já não a deixavam em paz.
Um dia.
Um mês.
Um ano.
Covardia.
Procurou em todas as bocas o gosto dos seus beijos, em todos os abraços sentir o seu perfume, nem mesmo podia arrancar seu coração.
Porque a gente é assim?
Ela continua dizendo que esqueceu ele a todos, menos a ela mesma. Já é um começo.

Alice Sales

Amar? eca,isso dói

Decreto nº 1304

“Meu coração não é de papel.. Não sou descartável.
E pra reciclar dá trabalho!
Porque precisa sempre se desfazer em pedaços? Cada vez mais miúdos.. cada vez mais difíceis de juntar...Ainda não me acostumei com essas pancadas.. esses vacilos... essas quebradas...
Cansado...
E eu.. tão intenso.. que me deixo indefeso...
E Dóoooiii...
Que porcaria he essa???
3, 2, 1...
Me aposentei....
Hoje entrei na comunidade: “Coração burro da porra!!”
A partir de agora... trancado... parafusado.. acorrentado..A chave nem sei onde foi parar.
“Eu decreto que a partir de hoje ninguém tem mais o direito de entrar nesse meu coração”. Autor: Tarcísio Rocha



O amor é uma droga mesmo,você acha que pode controlar aquela sensação pequenininha e de repente você esta feito um idiota morrendo de amores e escutando U2 no fim da noite.

Porém nada disso me desanima,eu ainda acredito no amor,e espero....
Espero por um amor que me faça parar de respirar, ficar boba, chorar de saudade, que me mate e me ressuscite todos os dias.
É isso.
Acabei arranjando um jeitinho de sofrer com dignidade. E de gostar desse momento.
Se meu coração é burro? Muito.
Mas eu até que gosto desse jeito,e prefiro mil vezes esse coração tolinho,do que um coração sem cicatrizes e sem emoções. Sendo assim digo exatamente o contrario do que meu amigo disse:
Esse coração aqui é malandro, e esta querendo um sentimento qualquer que balance ele,nem que seja uma dorzinha no fim da noite.

Ops! Só tem uma coisa: pelo sim,pelo não eu deixo a chave em casa,afinal, tá cheio de ladrão mal intencionado por aí.
Sem contar as vezes que eu perdi essa bendita chave e nunca me devolveram.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Meu maior inimigo



Quantas vezes você falou que eu não seria capaz? 
Que eu iria fracassar...ah...e quantas vezes eu deixei que você tivesse razão.

Quando eu permitia que tomasse conta de mim,que me amasse você estava pensando em mais uma maneira de me machucar,de me ter só pra si.

Voce é forte,decidido, eu devia saber que conseguiria deixar cicatrizes.
Meu maior erro: Te subestimei. 
Tentei prever seus passos,provei do teu veneno.

As marcas que ficaram são dignas de aplausos,são perfeitas,sangram sempre que estou só,tornam meus cabelos brancos,me condenam,me afligem,sou humilhada por elas,tornam mentiras verdades,me dão motivo pra parar.

Estou de joelhos,implorando que me deixe em paz porque eu preciso seguir.

Chega!

Insensivel,egoista,narcisista,sarcastico,ironico,inconsequente.

Um inimigo à minha altura,que me conhece acima de tudo,um vencedor que me tirou as rosas, perfumes e que é tão importante pra mim quanto eu pra ele,mas que não faz parte da vida que desejo.

Por amor ao meu passado negro,às lagrimas que molharam meu caderno e a minha dignidade declaro guerra,nesta noite,
ao meu maior inimigo: Eu.


Alice Sales
Imagem: Bruno Marafigo.

terça-feira, 22 de abril de 2008

Por onde andei (Conto)


"Essa é uma historia de como pessoas se encontram e se perdem no decorrer da vida, de como se conhecem e se separam. Porém, mesmo com vidas diferentes ainda permanecem de algum jeito, de alguma forma, na vida da outra pessoa. Eu vejo muito isso na nossa historia."

Miguel rabisca o caderno velho com essas palavras. Olha o céu da varanda do seu apartamento.
“Bom, uma garota chega a uma cidade pequena por forças maiores do destino. Começamos por aí.
“Eu ia entrando na sala de aula e me deparei com aquela garotinha de preto, cabelos castanhos, com cara de malvada. A principio fiquei curioso, mas tentei mostrar certo desinteresse, pois parecia que todo mundo estava olhando e se perguntando quem era ela?
Sentei distante ou pelo menos tentei. Me mordi de curiosidade, mas resisti em puxar assunto quando surgiu oportunidade.
Pensei: “O que eu poderia perguntar a ela?” Nada... Essa era a resposta.
Eu a achava interessante porque ela gostava de rock e era difícil achar garotas assim. Também por causa do seu jeito distante, meio de mal com a vida, ela inspira mistério. Por onde começaria o nosso contato? Pelas meninas da sala ou através do Frank?
Bom, pra variar meninas falam com meninas, então sorte minha!
Não ia ter que forçar a barra com nenhum “mané” pra poder saber sobre ela... Eu poderia simplesmente falar com as gurias da sala.
Finalmente conheço a tal, ela se chama Júlia.
A primeira impressão que tive era a de que ela era durona. Ela adora Guns n’ Roses. Nessa época eu escutava Gun´s quase todo dia.
Bom, então vamos passar para a parte mais clara em minha mente. A tal se sentia atraída por um rapaz chamado Frank, garoto estilo desportista, alto(pelo menos mais alto que eu), rude, era uma boa pessoa.
Ele me perguntava: “e essa novata, hein cara, bonita não é”?
Eu dizia é... É bonitinha. Eles começaram a se entender.
A essa altura eu conversava vagamente sobre algumas coisas com a Júlia, sobre música principalmente. Ela gostava de esoterismo, que era também um dos assuntos principais entre as meninas. Eu não tinha muita noção sobre o que elas falavam, pois meu mundo era focado em algo distante daquilo, no qual eu não precisaria de mágicas pra realizar, como manobras de skate.“

“Ai, flashback essa hora é difícil.” – Ele pensou enquanto tentava enxergar as horas no relógio.



***Parte 2***
São três horas da manhã. Júlia datilografa em sua maquina. Acende um cigarro de menta, passa a língua nos lábios ressecados pelo frio.
“Acho que devia parar de fumar e trocar essa maquina por um computador.”
Escreve.
“Bom, eu cheguei naquela cidade pequena por forças maiores do destino.
Quando o piloto avisa que chegamos a Brasília eu apertei o cinto e olhei pela janelinha. Muitas luzes! A cidade, em grande parte, é dividida em quadradinhos. Achei que seria legal morar ali.
Eu não sei bem do que estava fugindo naquela época, mas lembro que uma semana antes eu acordei e disse: “Estou indo embora”. Arrumei as malas, me despedi dos amigos com a promessa de nunca voltar, recebi cartas, descobri que muita gente gostava de mim.
Cidade fria. Gente estranha com jeito esquisito,como dizia Renato Russo. Deixo para trás uma tartaruga, minha avó e uma paixão de adolescente. Eu sempre achava divertido ter a oportunidade de começar de novo. Ou de fugir. Tudo do zero, eu tinha uma folhinha em branco pronta pra ser escrita.
Trabalhava na loja da minha mãe e estudava a tarde. Odiava a escola porque eu era a “branquela” da turma e porque todos me olhavam de um jeito curioso, me sentia um bicho no zoológico. As pessoas me faziam perguntam idiotas também.
Passo a me sentar ao lado de uma menina loirinha, gentil, ela tentava ser agradável o tempo todo, dizia que gostava de country, que eu era legal. Ela também era legal. Chamava-se Fabiana. Ela passava na loja da minha mãe pra me acompanhar até a (droga) de escola todo dia. Dizia que tinha um garoto na sala querendo me conhecer, que eu devia dar uma chance porque todas as meninas gostariam de ficar com ele, era a sensação nas conversas das mocinhas; moreno alto, bonito e sensual. Eu também estou mais próxima de umas garotas, elas têm cara de malvadas, estilo punk rock, curtem o mesmo que eu e posso dividir minhas crenças esotéricas, meu rock, e meu jeito desengonçado de tocar violão.
Não falávamos de garotos, eu cheguei a pensar que elas eram lésbicas. Um dia uma delas me falou: “garotos são descartáveis, eu não preciso deles, vou aos shows, vejo a banda e não quero ficar com ninguém.” A outra tinha um filho.
Também tinha uns meninos legais, que parecia mais garotos carentes que roqueiros (como eles se intitulavam), as meninas eram mais “punk” que eles.
Acontece que um belo dia o “mister universo” veio falar comigo. Tudo bem, ele era bonito mesmo, engraçado, tinha um papo legal, mas parecia um moleque bobo, aquele tipo de rostinho bonito e beijo gostoso. Eu já sabia que ele tinha uma namorada na escola e não perdi a oportunidade de lembrá-lo disso, ele falou que estavam “dando um tempo”. Se estavam ou não, desde aquela tarde, toda vez que a menina passava por mim ela tinha um apelido novo pra gritar comigo, aquela tarde foi o dia da “vaca!”.

“É... engraçado mesmo...ah...vida real...” – Pensou enquanto acendia outro cigarro.

“A cada dia ficava mais próxima do melhor amigo do Frank, o Miguel. Ele era um tipinho diferente, carinha de bom moço, jeito de menino triste, metido a roqueiro, skatista e todo dia contava que caiu,arranhou. Ele era legal. A gente conversava muito, perguntava sobre o Frank, ele desconversava.
Sentia que ele não entendia muita coisa. Tinha também o Josué, ele era um amor de pessoa, um tipo enorme, parecia um urso. Eu sentia muito carinho por ele também, por isso sempre dava um abraço apertado, ele sorria.
Agora eu tinha amigos.
Um dia o Miguel me chamou e disse que o Frank ia terminar comigo na hora no intervalo, porque ele estava afim de uma menina do judô. Aquilo foi chocante,me fiz de forte, eu também não entendia porque ele foi me avisar. Será que ele quer que eu me prepare psicologicamente, ou queria dizer pro amiguinho a minha reação?
Dito e feito. Na hora do intervalo o Frank chegou pra mim e pediu um tempo. Tempo pra que?Pra não ter que escolher?Claro que senti aquela raiva irracional do tipo "Estou sendo trocada".
Não, eu não queria um relacionamento serio, mas era legal ficar com ele.
Senti muito, mas não podia dar tempo algum ao Frank. Ele se explicou dizendo que havia certas coisas que eu não podia dar a ele, que ele queria se divertir mais. Eu sabia bem o que ele queria, e eu não ia dar mesmo. Tudo bem. Chorei no banheiro e voltei com um sorriso,mas no fundo dos meu olhos estava clara a minha decepção.
Naquele dia o Miguel veio me perguntar como foi a conversa. Todos estavam muito penalizados com a minha situação.
– “Calma, não morri porque fui trocada, só estou triste.”

Agora o Miguel e eu estávamos próximos de verdade. É divertido estar com ele, trocar ideias, abraçar, perguntar besteiras. A gente fazia uma porção de coisas. Dividíamos o sonho de ter uma banda de rock, de tocar, simplesmente. Nosso assunto principal é musica. Adoro desenhar na perna dele.”

***Parte 3***
Miguel levanta e estica o corpo, bebe água e se pergunta por que está escrevendo aquelas coisas.

“Bom, me sentia o tal quando ela fazia desenhos com caneta na minha perna, achava engraçado.
Enfim, o que tinha que acontecer aconteceu: ela e o Frank se entenderam. Ficavam juntos e curtiam. Ate que o que parecia durável foi acabando. Ele começou a cair fora depois de ter se divertido um pouco. Então fiquei em dúvida: ajudar a garota legal ou dar força para o amigo? Que situação. Tentei fazer os dois, mas nem sempre deu certo. O Frank dizia que não estava a fim de nada serio, pelo menos não naquele momento, estava apenas a fim de se divertir.
Bom, a garotinha ficou triste.
Conforme o tempo passava a gente ficava mais próximo. Ela falava sobre ele, eu escutava. Aos poucos revelava o quanto aquela jeito de malvada não era nada além de uma espécie de disfarce, afugentando assim os curiosos de plantão. Cada vez que a gente conversava eu sabia mais dela e queria saber mais ainda. Eu comecei a ficar bobo, sem saber o que dizer, achava que não podia acontecer comigo porque ela gostava do meu amigo e não de mim e não sou o tipo dela. Aquele impasse foi me encurralando, a cada dia ficava cada vez mais bobo e ela continuava gostando do Frank.
Acontece que em um dia chuvoso perto da escola, depois de alguns horários sem aula, eu fui com ela ate um centro comercial que ficava perto da escola. Chovia muito. Conversávamos, estávamos do lado de fora vendo a chuva cair há bastante tempo.
E aconteceu algo inesperado: ela me beijou... Fiquei meio sem ação... Travei.
Ela disse: “relaxa”;
Relaxa??? Eu não sabia se beijava a criatura porque, ate aquele dia, ainda não tinha beijado uma garota da qual eu realmente gostasse. Fiquei feliz.
Imagina a situação: As pessoas das quais você já chegou a gostar nunca ficaram com você, aí um belo dia uma dessas resolve te beijar. Ainda me veio na cabeça: “poxa, mas porque ela ta me beijando? Ela gosta do Frank.” Por isso eu travei feio daquele jeito. Ainda tenho que lembrar que aquilo foi inusitado demais pra mim. Não entrava na minha cabeça como foi acontecer. Isso fez uma confusão na minha vida, pensava no futuro. Nossa amizade continuou normal, sem problemas ou compromisso.
Eis que um dia ela disse iria embora. Foi o Josué que me chamou na sala dizendo que ela queria falar comigo. Ela tentou me explicar o porquê da sua partida, e simplesmente não entrava na minha cabeça. Ela me pediu o ultimo beijo, meio p**** da vida resisti... Resisti também porque não queria ser visto com ela, afinal, o Frank era meu amigo. Mas... acabei cedendo e ela acabou me beijando.
Ela se foi.
Resolvi ir até a casa dela. Conversamos muito do lado de fora, depois entramos. Sentamos em frente a uma churrasqueira. Vimos a noite cair. Eu disse que tinha que ir. A gente se beijou, estávamos juntos pela ultima vez. Era beijo e choro, toda aquela melancolia. Quando a primeira estrela apareceu no céu ela disse que sempre que eu olhasse pro céu lembrasse que aquela era a sua estrela, me falou da musica "teatro dos vampiros" que ela tanto adorava. Depois de toda aquela emoção fui embora e cada passo que eu dava me sentia mais longe, andava e chorava; ainda bem era noite e ninguém viu, exceto minha mãe que quando cheguei em casa me olhou e disse: “estava chorando?” Disfarcei. Escrevi uma carta que nunca mandei.
Eu não parava de escutar a tal musica, ate que certo dia eu parei.
Minha vida precisava voltar ao normal, não queria continuar naquela.
Um dia, depois de algum tempo, ela me ligou, conversamos, ela chorava de um lado e eu do outro. Eu escutei uma musica logo depois que ela desligou, passou na MTV, se chama “walking after you” do “Foo Fighters” uma versão acustica e não tem santo que me tire da cabeça ate hoje que essa é a nossa musica.”

***Parte 4***Ela cochila em cima da mesinha, acorda de um salto, o cigarro queimou a sua perna. Pensa: “realmente devo parar de fumar, ainda mais depois da ultima crise alérgica que tive.”.
A propósito, ela é alérgica a cigarro.
Fuma pra fingir ser uma charmosa artista de cinema e porque o gosto de menta no cigarro é ótimo, aliais cigarro com gosto nessa cidade é cigarro de mané. Ela não se importa em ser mané por algum tempo. Volta a escrever.

“Esse tempo todo junto fez a gente descobrir muitas afinidades e me fez ficar confusa. Uma amiga perguntou qual palavra seria melhor pra definir o Miguel, respondo que a palavra era hesitação; ele hesitava em falar e em agir. Ela perguntou: “Será que você ainda gosta do Frank mesmo”?” respondi que sim. Ela retrucou: “você quer ficar com o Miguel, esta confundindo tudo. Mas você não pode fazer isso, porque ele é o melhor amigo do Frank, se você ficar com ele não vou poder te ajudar, você vai estragar nosso circulo de amizades.”.
Quem ela era pra dizer o que eu podia fazer?Mas ela não tinha razão, eu não gosto do Miguel dessa maneira, ele é legal, só isso. Ele não faz meu tipo, é um garotinho sem graça. Alem disso, o que me faz pensar que ele iria querer me beijar?Que pensamentos idiotas.
Eu refletia sobre esse assunto enquanto saia da loja e ia pra escola. Cheguei à escola e o vejo com alguns amigos na entrada, disse oi, ele veio falar comigo. Por culpa daquela amiga maldita eu ficava pensando um monte de bobagens. Ele falava,mas eu não entendia o que ele dizia,estava meio longe; ia medindo ele e pensando: “ele é um gatinho...”
Falei com a Fabiana (a amiga country), ela disse que talvez eu devesse beijar ele pra testar. Ok.
Aconteceu que em um dia chuvoso, tínhamos um tempo depois da aula. Fomos pro alternativo shopping e sentamos do lado de fora, ficamos jogando conversa fora um tempão. Já estava pertinho de me despedir, era quase hora de fechar a loja e ir embora com minha mãe. Lembrei do que a Fabiana disse, quis sentir o gosto do beijo dele.
Beijei.
Como eu esperava o “homem hesitação” ficou em pânico. Me passou pela cabeça o que aquela amiga maldita havia dito: “você vai estragar tudo”. Ela tinha razão, eu devia tê-la ouvido. O garoto tinha o melhor beijo do mundo,daqueles que te faz esquecer onde está, molhado, carinhoso. Mas eu fiquei profundamente arrependida porque ele não queria ficar comigo, ele devia esta me achando uma idiota, me beijou por pena.
Minha mãe perguntou o que eu tinha. Nada, era a resposta. Não tinha nada, literalmente.

Pouco tempo passou, fingimos que nada havia acontecido. Acho que eu não estraguei a amizade. Ele não sente nada, por isso finge que nada aconteceu. Eu me sentia atraída por ele, desde aquele beijo eu não lembrava do Frank.
O beijo,era tudo o que eu tinha,aquela sensação boa,o barulho da chuva e o pânico do garoto. E isso não foi bom, porque agora eu queria ficar com um menino que nem mesmo olhava pra mim do jeito que eu queria. Acho que ele se sentia usado.
Daí veio o fim de semana. Pensei muito no assunto, havia discutido com minha mãe e estava triste. Acordei domingo e disse: “Estou indo embora.”. Comprei a passagem, cansada de tudo aquilo. Fui à escola, falei com minhas amigas. No outro dia eu voltei lá e ganhei cartas, abraços e beijos dos meus amigos. Descobri novamente que muita gente gostava de mim.
Consegui falar com o Miguel, não lembro o que eu disse. Mas lembro que pedi um beijo. Ele não queria me dar. Pensei: “até quando vou ter que me humilhar pra beijar esse menino”. Insisti, ele mais uma vez me mostrou seus sentimentos, ele me queria como amiga e ponto. Mas me beijou.
Coloquei meus amigos e minha breve historia em Brasília na mala. E fui dormir um pouco. Minha mãe me acordou e disse que tinha um amigo querendo falar comigo. Fiquei surpresa.
Sorri.
Conversamos bastante. Foi ótimo, me senti bem por que ele tinha se dado o trabalho de ir me ver. Vimos a noite cair. A gente se beijou pela ultima vez, era o mesmo beijo, mas tinha um gosto salgado dessa vez. Não queria que ele fosse embora. Mas ele teve que ir. Fui tomar um banho, me sentia triste enquanto a água quente caía, e chorava baixinho.
Lamentável o modo como as coisas acontecem na vida da gente. Um dia a gente se apaixona e de repente esta se despedindo daquela criatura pensando que nem deu tempo de andar de mãos dadas. Será que tudo iria ser diferente se ele tivesse ficado comigo pra valer,será que eu não teria ido embora?
Depois de um tempo resolvi ligar pra ele, foi bom ouvir sua voz novamente. Depois recebi uma carta, que não lembro se respondi.
E nunca mais soube dele.
Passaram-se muitos anos e recebi uma carta em que fiquei sabendo que ele estava namorando com uma de minhas amigas. Meu orgulho ficou ferido,devo admitir....na verdade eu a teria matado naquele dia,as pessoas são um lixo,eu fiquei com o melhor amigo do Frank e depois Miguel ficou com minha melhor amiga de Brasília.
A garota promiscua inconsequente e impulsiva lembrava com carinho do passado.


***Parte 5***
Júlia releu aquelas palavras e pensou no porque escrevia aquilo. Era um sentimento meio estranho,de culpa,de medo,de loucura. Ela não era mais aquela garotinha boba que ela havia conhecido,havia se tornado uma mulher cheia de convicções e atitudes. Mas ainda havia muito da promiscua inconseqüente e impulsiva que hora pensava em beija-lo novamente,hora odiava-o muito e ora queria transar com ele pra ver se era amizade mesmo, um assunto inacabado, não havia como definir.
A distancia não ajudava. E como sempre queremos o que não podemos ter, era inevitável querer estar de novo com ele naquela amizade colorida.
Júlia se apoiou na sacada e acabou seu cigarro,pensando que seria o ultimo.

*** Parte 6***E como esse não é um conto de fadas – escrevia Miguel – ninguém sabe o final. Ninguém sabe nem mesmo se foi real,se irão se reencontrar um dia e ficar juntos novamente ou se simplesmente um foi figurinha repetida no álbum da vida do outro. Apesar disso a conclusão é bastante simples: muita coisa pode acontecer.

Aos poucos aquelas coisas iam tomando rumo,tendo um sentido qualquer,quem sabe porque eles agora sabiam bem o que queriam,do eram capazes e sabiam que iriam até as ultimas conseqüências com tudo que começavam.
Naquela noite eles admitiram seus maiores defeitos,se arrependeram e fizeram promessas tolas.
Viver intensamente,nada de coisas insignificantes.

Texto: Alice Sales e Guilherme Santana
Fotos: Guilherme Santana

P.S.: Obrigada Miguel porque você é digno de todo meu sentimento,esse texto é pra você em homenagem a nossa amizade cheia de cor.

As cartas que eu não mando



Quando te vejo me pego me pensando se foi tudo em vão, se todo amor que dediquei a você foi uma ilusão da minha mente, se eu inventei tudo aquilo, porque eu queria acreditar que você me amava tanto quanto eu a você. Custa-me tanto acreditar que foi , e talvez por isso eu esteja escrevendo, me afundo na incerteza desesperadora de que a resposta seja sim, um sim vazio, confirmando o que eu não queria.

Estou atormentada por duvidas que martelam o tempo todo sobre o porque disso ter acontecido.Se a culpa foi minha então creio que meu amor não foi suficientemente grande.

Porque você passou a me odiar tanto?

Será que você tomou as dores dele pra si ou existe outro motivo?

O pior é pensar que talvez esse ódio já estivesse aí, na iminência de explodir me partindo em mil pedaços e só eu não enxergava; nesse caso a conclusão dói ainda mais: meu coração se enganou. Eu não posso (e não quero) acreditar que o que sinto é falso.

Estou rodeada de amigos sinceros e que me fazem rir o tempo todo e que eu amo tanto quanto te amei... quando estou com eles não me sinto triste, e quase volto a acreditar que amigos são para sempre. Mas me falta algo: um esclarecimento seu para que eu possa acreditar novamente nos contos de fada.

Não gosto de aceitar que você é um problema.

Quero ouvir sua voz novamente, sentir seu toque, quero que me console e diga que tudo não passou de um pesadelo horrível,que tudo fazia parte de uma noite interminável e que agora eu estava acordada.
Você era minha luz.
Não se deixa de amar,o amor é eterno, os livros de poesia me ensinaram.
O mais incrível é que você não me conhecia, não sabia que eu realmente me entreguei a você, não sabia que varias vezes eu morri por você e que (tenho certeza) você nunca mais vai ter uma amiga assim.
Você sempre teve tudo sob controle, tinha tudo programado, você programou o inicio e o fim. Eu lembro que você me preparou pro inicio, mas não pro fim, foi cruel, eu não estava pronta.

No fim das contas eu só quero que você saiba que sou outra pessoa, mas que apesar de todas as mudanças não consegui excluir você dos meus pensamentos e do meu coração.
Você tem uma dívida comigo, me ajude a fazer isso, me ajude a te apagar.

Eu prefiro acreditar na minha versão da historia, na minha verdade: a de que tudo o que aconteceu foi fruto da inveja das pessoas que nos rodeavam, de vinganças infantis, que nós deixamos nos influenciar e que no fundo você sente minha falta, que você não é tão inflexível quanto demonstrou ser. É isso que quero guardar de tudo que houve entre nós.

Eu devia ter escondido de todos o quanto eu te amo.
Sinto tanta saudade do seu olhar,do seu abraço,do seu beijo,da sua voz me chamando de Rosa Rosadinha...eu sei que tudo isso é muito humilhante,mas vale a pena escrever porque eu só queria que você soubesse.

Eu odeio lembrar de como eu venerava você,como eu te sentia como irmão,um amigo de verdade,eu acho que eu tenho o direito de saber o que aconteceu naquele dia,porque você fez tudo isso,porque esqueceu e fingiu que não houve nada.Eu queria saber de tudo.
Das poucas coisas que conseguiram destruir na minha vida(e não foram muitas coisas),você faz parte das que eu mais lamento.

Quem sabe um dia você lembre de tudo(se é que não foi uma ilusão da minha mente).
Eu só preciso ouvir você dizer “esquece” me olhando nos olhos.
Isso não é um pedido de reconciliação.

É um grito.