segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Pede


Não consigo deixar de pensar em ti
E talvez isso explique minha loucura,
Meus ciúmes...
Meu desejo...
Minha ansiedade em te ver, em te ter, em te sentir...

Se você me pedir acredite que não vou negar,
Mas pede daquele jeito...Sussurrando enquanto brinco com a língua em ti...
E ouço teu gemido... a tua respiração ofegante...
Enquanto sinto teus toques inesperados...

A gente se olha e consegue ler o desejo um do outro,
Porem ficamos imóveis...Esperando...

Pede!

Diz meu nome, cala minha boca com um beijo...dois...Três...
Me segura com força, me arranha até sangrar, me deixa marcas, me faz gritar...gemer... me toma inteira: frente e verso...
Agarra o meu cabelo do jeito que só você sabe...Beija meu pescoço e desce lentamente... Até me ver em desespero...

Gosto de te provocar...
Olhar nos teus olhos...

Se você me quer, vem buscar...

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Compaixão


Sim.
Meu blog fala de amor.
O amor que está em todos os lugares,as pessoas cantam o amor,vivem,dizem estar apaixonadas...enfim,amor.
E o amor ao próximo?
Eu sei que parece meio démodé,que todas as igrejas falam disso e que ninguém agüenta mais.
Então porque ninguém pratica?
Está faltando nas pessoas uma coisinha chamada compaixão.
Definição:
A muito tempo atrás minha mãe me disse que compaixão era a gente se colocar no lugar do outro. Bom,também é.
Para ser mais formal: Compaixão (do latim compassione) pode ser descrito como uma compreensão do estado emocional de outrem; não deve ser confundida com empatia. A compaixão freqüentemente combina-se a vontade de aliviar ou minorar o sofrimento de outra pessoa, bem como demonstrar especial gentileza com aqueles que sofrem. A compaixão pode levar alguém a sentir empatia por outra pessoa. A compaixão é freqüentemente caracterizada através de ações, na qual uma pessoa agindo com espírito de compaixão busca ajudar aqueles pelos quais se compadece.
Ficou fácil.
Porque ninguem pratica?
Alguns exemplos:
1.Há dois dias eu cai no meio da pista,a parada de onibus estava lotada,ninguem veio me ajudar a levantar. PQP,que raiva quando eu lembro.
2.A minha amiga estava no trabalho passando mal,ligou pra irmã e pediu pra ela ir buscar ela de carro,a irmã dela não foi porque estava no computador baixando os videos do youtube.
3.Hoje eu estava voltando pra casa dentro da topic e vi um cara,talvez ele estivesse bebado,estava fazendo uma fogueira e assando um peixe (ou o que parecia ser um peixe),todo mundo olhava como se ele fosse uma atração de circo,o cara pediu um real que ninguém deu porque disseram que ele ia beber! CARALHO!! O cara estava no meio da rua assando um monte de espinhos pra comer,o que tinha se ele fosse beber? Eu tambem beberia. Eu beberia e fumaria se alguem me desse um real, pra esquecer um pouco que eu estava na rua,com frio comendo peixe com areia.
4.Ontem eu estava ardendo em febre e pedi pra minha tia descer pra comprar um tylenol pra mim,na farmacia embaixo da gente! Ela falou: eu não,vai lá!
5. Meu ex namorado me ligou puto,disse o que queria e o que não queria também. Eu escutei tudo,se ele se sente melhor assim,não posso dizer a mesma coisa. Mas como diz o velho ditado,quem diz o que quer escuta o que não quer. E se passa também.
E ainda se expõe ao risco de me deixa fula da vida e me fazer postar isso no blog.
6.Teve uma menina que pisou no meu pé de salto e não pediu desculpas. Me desculpe senhor,me perdoe por ter empurrado ela!
Hoje eu to com o diabo mesmo.

São pequenas e grandes coisas.
Alguem aqui fez catecismo,se batizou,teve familia?
Responda algumas questões?
Voce gosta de ser enganado?
Gosta que riam de voce?
Que esqueçam do seu aniversário?

Falo das pequenas coisas mesmo,desde lembrar de encher o copo de alguem que come com voce na mesa,a dar bom dia,de pedir licença,de se importar com os sentimentos dos outros,de tirar as roupas velhas que voce não usa,de doar sangue!
Se voce se policiar um pouquinho pra não jogar lixo na rua tambem ajuda!

Voce sabia que o HEMOCE está passando por uma crise muito séria,que tem gente morrendo porque NÃO tem sangue pra transfusão?
Porque voce não pode sair de casa a cada seis meses pra passar 30 minutos lá e ajudar alguem!! Porque voce tem medo de agulha!!!!!

Eu tambem tenho porra!!!!
A cada seis meses eu entro naquela droga de sala suando frio,com medo daquela agulha,mas quando eu saio de lá eu sei que alguem vai estar bem porque eu deixei de ser egoista por meia hora,porque eu tirei um tempo da minha hora de almoço pra dar um tantinho de sangue que não vai me fazer falta.
Eu to gritando,é?
Tá bom,desculpa.
Vou tentar novamente:
Gente,por favor vamos doar sangue,tem muita gente precisando,um dia pode ser você. (frase de enfermeira,com aquela vozinha doce e aquele quepe idiota na cabeça)


Proponho um acordo,toda vez que olharmos alguma situação,antes de julgar ou agir vamos nos colocar no lugar da outra pessoa,um minuto só.
Eu sei que não é facil,mas se voce conseguir fazer isso duas vezes por dia muita coisa vai mudar.
Não dá pra fazer tudo,mas dá pra fazer sua parte.

Eu tento. Me dá a mão?

domingo, 1 de junho de 2008

Insensatez


Madrugada de sábado. Escutei batidas na porta.
Levantei do sofá me espreguiçando. Estava de bom humor. 
Olhei através do olho mágico e abri a porta.
Era ele, meio triste, perdido e molhado pela chuvinha fina que caía. Entrava uma brisa pela janela, bem gelada e que conseguia arrepiar a gente.
Ele ficou uns dois minutos parado na minha frente sem falar nada, eu não quis perguntar por causa do ar pesado que se instalou.


Até que ele quebrou o silencio: 
- “Ela me deixou.”.
Eu mal podia acreditar que ele veio na minha casa duas da manhã porque estava sendo abandonado. Sim, éramos amigos, mas não sei o deu em mim, aquilo me deixou chateada e ao mesmo tempo senti algo que sumiu antes mesmo que eu pudesse definir.
Precisei respirar fundo, disse pra mim mesma: “Calma... Já estava acordada mesmo.”.
Abracei-o. Sentir seu corpo me deixou confusa, sua mão gelada me arrepiou quando tocou meu ombro, seu perfume me invadiu,era um cheiro bom, envolvente, inebriante. Meu rosto encostou-se em seu peito, pressionei a cintura dele... Isso durou apenas alguns segundos até eu voltar à realidade. 


O que estava acontecendo comigo? Eu nunca senti isso, não com ele.
Afastei-me e meio atordoada falei:
“Como? Ela te deixou?” – Fiquei em silencio alguns segundos – “Eu sei do que você precisa: Dormir. Amanha conversamos sobre o que aconteceu.Você vai estar melhor,mais descansado e de cabeça fria”.
Não sei por que disse aquilo, talvez ele precisasse conversar e não dormir, mas algo estava errado comigo, então achei que aquela era a melhor decisão, depois, pela manhã, poderia dar atenção a ele, ouviria seus problemas, o consolaria e o ajudaria a voltar com a garota.

O fiz sentar no sofá, tirei sua camisa deixando aquela brisa tocar seu corpo... Perfumado, macio, cheio de curvas definidas. Novamente me puni por pensar aquilo. Ele estava deprimido jogado em meu sofá e eu detalhava seu físico. Definitivamente, havia algo errado. Aproveitei aquele momento de insensatez e fiquei admirando meu jovem amigo em desespero.
“Vou pegar uma toalha,você vai tomar um banho.” – Falei.
Ele entrou no banheiro e respirei aliviada porque ele estava longe dos meus olhos. Eu não costumava ser imprudente, tentava pensar nas consequências dos meus atos, me sentia péssima por desejá-lo.
“Deve ser a solidão, a vodka, a beleza dele, a hora, o clima ou eu estava ficando louca de vez. Acho que preciso de sexo, mas não com ele! E não nessa situação... ou melhor, em situação nenhuma podemos fazer sexo, que pensamento...”.
Antes que eu me movesse ele voltou, enrolado na toalha. A verdade é que depois de tantos anos éramos muito íntimos, eu o recepcionei com uma blusinha branca de algodão e uma calcinha daquelas que parecem shortinho, mas naquele momento toda essa intimidade era péssima. 

Enrolei-me num lençol, murmurei:
“Que droga, devia ter ido dormir. É... Vou fazer um chocolate quente pra você. Tenta relaxar.”
Foi o chocolate quente mais longo da minha vida, ele tomava bem devagar, fitava o nada. Enquanto que eu rezava pra acabar logo, ir dormir e esquecer essas bobagens. “Vai acabar logo... toma chocolate, dá um beijo, dá um lençol e um travesseiro pra ele e se tranca no quarto.”
Esse plano parecia ótimo.

Ele deitou na minha perna.
Meus olhos esquadrinhavam cada centímetro do corpo dele, até chegar à toalha... Quis que a toalha caísse... Depois apelei pro meu bom senso. Levantei delicadamente, recolhi as canecas e dei um beijo no rosto dele. 

Ele sussurrou algo que não entendi e me olhou. Aquilo me deixou com as pernas bambas. Aquele olhar doce, profundo. Coloquei as canecas no chão. Ele aproximou o rosto. Senti algo diferente, parecia uma adolescente embriagada... Minhas pernas bambearam de novo quando ele sussurrou:
- “Me beija”.
Beijei-o na boca, uns beijos quentes, molhados, cheios de insanidade... Passei a língua de leve nos lábios dele, mordi devagar sua boca e os beijos foram ficando mais intensos, aquilo caía como uma bomba em mim... Um turbilhão de sentimentos, de dúvidas, de desejos. Deu um frio na barriga.
Sentei no colo dele enquanto nos beijávamos. O cheiro dele me provocava, me deixava louca. Parecia um sonho sem forma. As suas mãos iam devagar passeando pelo meu corpo, passavam pelo pescoço, desciam pelas costas e me deixavam tonta.
Ele levantou devagar, percebeu meu olhar intenso que o despia. Passeou pelo meu corpo até ficar de joelhos no chão beijando minhas pernas. Deitou-se sobre mim e me beijou novamente, desta vez com mais vontade, tinha um beijo com sabor de licor de menta.
Suas mãos frias acariciavam meus seios, então ele afastou minha calcinha. Ele gemia baixinho e aumentava cada vez mais a velocidade dos movimentos, eu seguia seu ritmo e sentia meu corpo responder...

Perdi o fôlego, sentia vontade de morder, de beijar, de tocar, de chorar. Fechei os olhos enquanto ele beijava meu pescoço. Corri meus dedos pelo peito suado dele.
Existia algo inexplicável. Nossa respiração ficou ofegante, estávamos juntos, como se fossemos um, e sentíamos muito prazer nisso.

Então de repente me senti tão relaxada... Ele soltou o corpo em cima de mim e me abraçou forte. Eu deslizei as mãos pela sua nuca e respirei fundo.
Já não precisava de explicação nenhuma.
“O que vai acontecer agora?”, pensei.
...
...

Foto: Mecuro B Cotto

terça-feira, 22 de abril de 2008

Por onde andei (Conto)


"Essa é uma historia de como pessoas se encontram e se perdem no decorrer da vida, de como se conhecem e se separam. Porém, mesmo com vidas diferentes ainda permanecem de algum jeito, de alguma forma, na vida da outra pessoa. Eu vejo muito isso na nossa historia."

Miguel rabisca o caderno velho com essas palavras. Olha o céu da varanda do seu apartamento.
“Bom, uma garota chega a uma cidade pequena por forças maiores do destino. Começamos por aí.
“Eu ia entrando na sala de aula e me deparei com aquela garotinha de preto, cabelos castanhos, com cara de malvada. A principio fiquei curioso, mas tentei mostrar certo desinteresse, pois parecia que todo mundo estava olhando e se perguntando quem era ela?
Sentei distante ou pelo menos tentei. Me mordi de curiosidade, mas resisti em puxar assunto quando surgiu oportunidade.
Pensei: “O que eu poderia perguntar a ela?” Nada... Essa era a resposta.
Eu a achava interessante porque ela gostava de rock e era difícil achar garotas assim. Também por causa do seu jeito distante, meio de mal com a vida, ela inspira mistério. Por onde começaria o nosso contato? Pelas meninas da sala ou através do Frank?
Bom, pra variar meninas falam com meninas, então sorte minha!
Não ia ter que forçar a barra com nenhum “mané” pra poder saber sobre ela... Eu poderia simplesmente falar com as gurias da sala.
Finalmente conheço a tal, ela se chama Júlia.
A primeira impressão que tive era a de que ela era durona. Ela adora Guns n’ Roses. Nessa época eu escutava Gun´s quase todo dia.
Bom, então vamos passar para a parte mais clara em minha mente. A tal se sentia atraída por um rapaz chamado Frank, garoto estilo desportista, alto(pelo menos mais alto que eu), rude, era uma boa pessoa.
Ele me perguntava: “e essa novata, hein cara, bonita não é”?
Eu dizia é... É bonitinha. Eles começaram a se entender.
A essa altura eu conversava vagamente sobre algumas coisas com a Júlia, sobre música principalmente. Ela gostava de esoterismo, que era também um dos assuntos principais entre as meninas. Eu não tinha muita noção sobre o que elas falavam, pois meu mundo era focado em algo distante daquilo, no qual eu não precisaria de mágicas pra realizar, como manobras de skate.“

“Ai, flashback essa hora é difícil.” – Ele pensou enquanto tentava enxergar as horas no relógio.



***Parte 2***
São três horas da manhã. Júlia datilografa em sua maquina. Acende um cigarro de menta, passa a língua nos lábios ressecados pelo frio.
“Acho que devia parar de fumar e trocar essa maquina por um computador.”
Escreve.
“Bom, eu cheguei naquela cidade pequena por forças maiores do destino.
Quando o piloto avisa que chegamos a Brasília eu apertei o cinto e olhei pela janelinha. Muitas luzes! A cidade, em grande parte, é dividida em quadradinhos. Achei que seria legal morar ali.
Eu não sei bem do que estava fugindo naquela época, mas lembro que uma semana antes eu acordei e disse: “Estou indo embora”. Arrumei as malas, me despedi dos amigos com a promessa de nunca voltar, recebi cartas, descobri que muita gente gostava de mim.
Cidade fria. Gente estranha com jeito esquisito,como dizia Renato Russo. Deixo para trás uma tartaruga, minha avó e uma paixão de adolescente. Eu sempre achava divertido ter a oportunidade de começar de novo. Ou de fugir. Tudo do zero, eu tinha uma folhinha em branco pronta pra ser escrita.
Trabalhava na loja da minha mãe e estudava a tarde. Odiava a escola porque eu era a “branquela” da turma e porque todos me olhavam de um jeito curioso, me sentia um bicho no zoológico. As pessoas me faziam perguntam idiotas também.
Passo a me sentar ao lado de uma menina loirinha, gentil, ela tentava ser agradável o tempo todo, dizia que gostava de country, que eu era legal. Ela também era legal. Chamava-se Fabiana. Ela passava na loja da minha mãe pra me acompanhar até a (droga) de escola todo dia. Dizia que tinha um garoto na sala querendo me conhecer, que eu devia dar uma chance porque todas as meninas gostariam de ficar com ele, era a sensação nas conversas das mocinhas; moreno alto, bonito e sensual. Eu também estou mais próxima de umas garotas, elas têm cara de malvadas, estilo punk rock, curtem o mesmo que eu e posso dividir minhas crenças esotéricas, meu rock, e meu jeito desengonçado de tocar violão.
Não falávamos de garotos, eu cheguei a pensar que elas eram lésbicas. Um dia uma delas me falou: “garotos são descartáveis, eu não preciso deles, vou aos shows, vejo a banda e não quero ficar com ninguém.” A outra tinha um filho.
Também tinha uns meninos legais, que parecia mais garotos carentes que roqueiros (como eles se intitulavam), as meninas eram mais “punk” que eles.
Acontece que um belo dia o “mister universo” veio falar comigo. Tudo bem, ele era bonito mesmo, engraçado, tinha um papo legal, mas parecia um moleque bobo, aquele tipo de rostinho bonito e beijo gostoso. Eu já sabia que ele tinha uma namorada na escola e não perdi a oportunidade de lembrá-lo disso, ele falou que estavam “dando um tempo”. Se estavam ou não, desde aquela tarde, toda vez que a menina passava por mim ela tinha um apelido novo pra gritar comigo, aquela tarde foi o dia da “vaca!”.

“É... engraçado mesmo...ah...vida real...” – Pensou enquanto acendia outro cigarro.

“A cada dia ficava mais próxima do melhor amigo do Frank, o Miguel. Ele era um tipinho diferente, carinha de bom moço, jeito de menino triste, metido a roqueiro, skatista e todo dia contava que caiu,arranhou. Ele era legal. A gente conversava muito, perguntava sobre o Frank, ele desconversava.
Sentia que ele não entendia muita coisa. Tinha também o Josué, ele era um amor de pessoa, um tipo enorme, parecia um urso. Eu sentia muito carinho por ele também, por isso sempre dava um abraço apertado, ele sorria.
Agora eu tinha amigos.
Um dia o Miguel me chamou e disse que o Frank ia terminar comigo na hora no intervalo, porque ele estava afim de uma menina do judô. Aquilo foi chocante,me fiz de forte, eu também não entendia porque ele foi me avisar. Será que ele quer que eu me prepare psicologicamente, ou queria dizer pro amiguinho a minha reação?
Dito e feito. Na hora do intervalo o Frank chegou pra mim e pediu um tempo. Tempo pra que?Pra não ter que escolher?Claro que senti aquela raiva irracional do tipo "Estou sendo trocada".
Não, eu não queria um relacionamento serio, mas era legal ficar com ele.
Senti muito, mas não podia dar tempo algum ao Frank. Ele se explicou dizendo que havia certas coisas que eu não podia dar a ele, que ele queria se divertir mais. Eu sabia bem o que ele queria, e eu não ia dar mesmo. Tudo bem. Chorei no banheiro e voltei com um sorriso,mas no fundo dos meu olhos estava clara a minha decepção.
Naquele dia o Miguel veio me perguntar como foi a conversa. Todos estavam muito penalizados com a minha situação.
– “Calma, não morri porque fui trocada, só estou triste.”

Agora o Miguel e eu estávamos próximos de verdade. É divertido estar com ele, trocar ideias, abraçar, perguntar besteiras. A gente fazia uma porção de coisas. Dividíamos o sonho de ter uma banda de rock, de tocar, simplesmente. Nosso assunto principal é musica. Adoro desenhar na perna dele.”

***Parte 3***
Miguel levanta e estica o corpo, bebe água e se pergunta por que está escrevendo aquelas coisas.

“Bom, me sentia o tal quando ela fazia desenhos com caneta na minha perna, achava engraçado.
Enfim, o que tinha que acontecer aconteceu: ela e o Frank se entenderam. Ficavam juntos e curtiam. Ate que o que parecia durável foi acabando. Ele começou a cair fora depois de ter se divertido um pouco. Então fiquei em dúvida: ajudar a garota legal ou dar força para o amigo? Que situação. Tentei fazer os dois, mas nem sempre deu certo. O Frank dizia que não estava a fim de nada serio, pelo menos não naquele momento, estava apenas a fim de se divertir.
Bom, a garotinha ficou triste.
Conforme o tempo passava a gente ficava mais próximo. Ela falava sobre ele, eu escutava. Aos poucos revelava o quanto aquela jeito de malvada não era nada além de uma espécie de disfarce, afugentando assim os curiosos de plantão. Cada vez que a gente conversava eu sabia mais dela e queria saber mais ainda. Eu comecei a ficar bobo, sem saber o que dizer, achava que não podia acontecer comigo porque ela gostava do meu amigo e não de mim e não sou o tipo dela. Aquele impasse foi me encurralando, a cada dia ficava cada vez mais bobo e ela continuava gostando do Frank.
Acontece que em um dia chuvoso perto da escola, depois de alguns horários sem aula, eu fui com ela ate um centro comercial que ficava perto da escola. Chovia muito. Conversávamos, estávamos do lado de fora vendo a chuva cair há bastante tempo.
E aconteceu algo inesperado: ela me beijou... Fiquei meio sem ação... Travei.
Ela disse: “relaxa”;
Relaxa??? Eu não sabia se beijava a criatura porque, ate aquele dia, ainda não tinha beijado uma garota da qual eu realmente gostasse. Fiquei feliz.
Imagina a situação: As pessoas das quais você já chegou a gostar nunca ficaram com você, aí um belo dia uma dessas resolve te beijar. Ainda me veio na cabeça: “poxa, mas porque ela ta me beijando? Ela gosta do Frank.” Por isso eu travei feio daquele jeito. Ainda tenho que lembrar que aquilo foi inusitado demais pra mim. Não entrava na minha cabeça como foi acontecer. Isso fez uma confusão na minha vida, pensava no futuro. Nossa amizade continuou normal, sem problemas ou compromisso.
Eis que um dia ela disse iria embora. Foi o Josué que me chamou na sala dizendo que ela queria falar comigo. Ela tentou me explicar o porquê da sua partida, e simplesmente não entrava na minha cabeça. Ela me pediu o ultimo beijo, meio p**** da vida resisti... Resisti também porque não queria ser visto com ela, afinal, o Frank era meu amigo. Mas... acabei cedendo e ela acabou me beijando.
Ela se foi.
Resolvi ir até a casa dela. Conversamos muito do lado de fora, depois entramos. Sentamos em frente a uma churrasqueira. Vimos a noite cair. Eu disse que tinha que ir. A gente se beijou, estávamos juntos pela ultima vez. Era beijo e choro, toda aquela melancolia. Quando a primeira estrela apareceu no céu ela disse que sempre que eu olhasse pro céu lembrasse que aquela era a sua estrela, me falou da musica "teatro dos vampiros" que ela tanto adorava. Depois de toda aquela emoção fui embora e cada passo que eu dava me sentia mais longe, andava e chorava; ainda bem era noite e ninguém viu, exceto minha mãe que quando cheguei em casa me olhou e disse: “estava chorando?” Disfarcei. Escrevi uma carta que nunca mandei.
Eu não parava de escutar a tal musica, ate que certo dia eu parei.
Minha vida precisava voltar ao normal, não queria continuar naquela.
Um dia, depois de algum tempo, ela me ligou, conversamos, ela chorava de um lado e eu do outro. Eu escutei uma musica logo depois que ela desligou, passou na MTV, se chama “walking after you” do “Foo Fighters” uma versão acustica e não tem santo que me tire da cabeça ate hoje que essa é a nossa musica.”

***Parte 4***Ela cochila em cima da mesinha, acorda de um salto, o cigarro queimou a sua perna. Pensa: “realmente devo parar de fumar, ainda mais depois da ultima crise alérgica que tive.”.
A propósito, ela é alérgica a cigarro.
Fuma pra fingir ser uma charmosa artista de cinema e porque o gosto de menta no cigarro é ótimo, aliais cigarro com gosto nessa cidade é cigarro de mané. Ela não se importa em ser mané por algum tempo. Volta a escrever.

“Esse tempo todo junto fez a gente descobrir muitas afinidades e me fez ficar confusa. Uma amiga perguntou qual palavra seria melhor pra definir o Miguel, respondo que a palavra era hesitação; ele hesitava em falar e em agir. Ela perguntou: “Será que você ainda gosta do Frank mesmo”?” respondi que sim. Ela retrucou: “você quer ficar com o Miguel, esta confundindo tudo. Mas você não pode fazer isso, porque ele é o melhor amigo do Frank, se você ficar com ele não vou poder te ajudar, você vai estragar nosso circulo de amizades.”.
Quem ela era pra dizer o que eu podia fazer?Mas ela não tinha razão, eu não gosto do Miguel dessa maneira, ele é legal, só isso. Ele não faz meu tipo, é um garotinho sem graça. Alem disso, o que me faz pensar que ele iria querer me beijar?Que pensamentos idiotas.
Eu refletia sobre esse assunto enquanto saia da loja e ia pra escola. Cheguei à escola e o vejo com alguns amigos na entrada, disse oi, ele veio falar comigo. Por culpa daquela amiga maldita eu ficava pensando um monte de bobagens. Ele falava,mas eu não entendia o que ele dizia,estava meio longe; ia medindo ele e pensando: “ele é um gatinho...”
Falei com a Fabiana (a amiga country), ela disse que talvez eu devesse beijar ele pra testar. Ok.
Aconteceu que em um dia chuvoso, tínhamos um tempo depois da aula. Fomos pro alternativo shopping e sentamos do lado de fora, ficamos jogando conversa fora um tempão. Já estava pertinho de me despedir, era quase hora de fechar a loja e ir embora com minha mãe. Lembrei do que a Fabiana disse, quis sentir o gosto do beijo dele.
Beijei.
Como eu esperava o “homem hesitação” ficou em pânico. Me passou pela cabeça o que aquela amiga maldita havia dito: “você vai estragar tudo”. Ela tinha razão, eu devia tê-la ouvido. O garoto tinha o melhor beijo do mundo,daqueles que te faz esquecer onde está, molhado, carinhoso. Mas eu fiquei profundamente arrependida porque ele não queria ficar comigo, ele devia esta me achando uma idiota, me beijou por pena.
Minha mãe perguntou o que eu tinha. Nada, era a resposta. Não tinha nada, literalmente.

Pouco tempo passou, fingimos que nada havia acontecido. Acho que eu não estraguei a amizade. Ele não sente nada, por isso finge que nada aconteceu. Eu me sentia atraída por ele, desde aquele beijo eu não lembrava do Frank.
O beijo,era tudo o que eu tinha,aquela sensação boa,o barulho da chuva e o pânico do garoto. E isso não foi bom, porque agora eu queria ficar com um menino que nem mesmo olhava pra mim do jeito que eu queria. Acho que ele se sentia usado.
Daí veio o fim de semana. Pensei muito no assunto, havia discutido com minha mãe e estava triste. Acordei domingo e disse: “Estou indo embora.”. Comprei a passagem, cansada de tudo aquilo. Fui à escola, falei com minhas amigas. No outro dia eu voltei lá e ganhei cartas, abraços e beijos dos meus amigos. Descobri novamente que muita gente gostava de mim.
Consegui falar com o Miguel, não lembro o que eu disse. Mas lembro que pedi um beijo. Ele não queria me dar. Pensei: “até quando vou ter que me humilhar pra beijar esse menino”. Insisti, ele mais uma vez me mostrou seus sentimentos, ele me queria como amiga e ponto. Mas me beijou.
Coloquei meus amigos e minha breve historia em Brasília na mala. E fui dormir um pouco. Minha mãe me acordou e disse que tinha um amigo querendo falar comigo. Fiquei surpresa.
Sorri.
Conversamos bastante. Foi ótimo, me senti bem por que ele tinha se dado o trabalho de ir me ver. Vimos a noite cair. A gente se beijou pela ultima vez, era o mesmo beijo, mas tinha um gosto salgado dessa vez. Não queria que ele fosse embora. Mas ele teve que ir. Fui tomar um banho, me sentia triste enquanto a água quente caía, e chorava baixinho.
Lamentável o modo como as coisas acontecem na vida da gente. Um dia a gente se apaixona e de repente esta se despedindo daquela criatura pensando que nem deu tempo de andar de mãos dadas. Será que tudo iria ser diferente se ele tivesse ficado comigo pra valer,será que eu não teria ido embora?
Depois de um tempo resolvi ligar pra ele, foi bom ouvir sua voz novamente. Depois recebi uma carta, que não lembro se respondi.
E nunca mais soube dele.
Passaram-se muitos anos e recebi uma carta em que fiquei sabendo que ele estava namorando com uma de minhas amigas. Meu orgulho ficou ferido,devo admitir....na verdade eu a teria matado naquele dia,as pessoas são um lixo,eu fiquei com o melhor amigo do Frank e depois Miguel ficou com minha melhor amiga de Brasília.
A garota promiscua inconsequente e impulsiva lembrava com carinho do passado.


***Parte 5***
Júlia releu aquelas palavras e pensou no porque escrevia aquilo. Era um sentimento meio estranho,de culpa,de medo,de loucura. Ela não era mais aquela garotinha boba que ela havia conhecido,havia se tornado uma mulher cheia de convicções e atitudes. Mas ainda havia muito da promiscua inconseqüente e impulsiva que hora pensava em beija-lo novamente,hora odiava-o muito e ora queria transar com ele pra ver se era amizade mesmo, um assunto inacabado, não havia como definir.
A distancia não ajudava. E como sempre queremos o que não podemos ter, era inevitável querer estar de novo com ele naquela amizade colorida.
Júlia se apoiou na sacada e acabou seu cigarro,pensando que seria o ultimo.

*** Parte 6***E como esse não é um conto de fadas – escrevia Miguel – ninguém sabe o final. Ninguém sabe nem mesmo se foi real,se irão se reencontrar um dia e ficar juntos novamente ou se simplesmente um foi figurinha repetida no álbum da vida do outro. Apesar disso a conclusão é bastante simples: muita coisa pode acontecer.

Aos poucos aquelas coisas iam tomando rumo,tendo um sentido qualquer,quem sabe porque eles agora sabiam bem o que queriam,do eram capazes e sabiam que iriam até as ultimas conseqüências com tudo que começavam.
Naquela noite eles admitiram seus maiores defeitos,se arrependeram e fizeram promessas tolas.
Viver intensamente,nada de coisas insignificantes.

Texto: Alice Sales e Guilherme Santana
Fotos: Guilherme Santana

P.S.: Obrigada Miguel porque você é digno de todo meu sentimento,esse texto é pra você em homenagem a nossa amizade cheia de cor.